Tecnólogo em Radiologia - Luciano Santa Rita Oliveira

Conceitos de Incidências Radiológicas

   

Posição anatômica

Todo posicionamento relacionado ao corpo humano tem como base a posição padrão de descrição anatômica, denominada posição anatômica. Tal posição corresponde a um corpo humano em posição ereta (ortostática), com os membros superiores pendentes com as palmas das mãos voltadas para frente, e membros inferiores unidos com os pés paralelos, com as suas pontas dirigidas para a frente. A cabeça deve estar orientada com a face voltada para a frente, o olhar dirigido para o horizonte, de forma que a margem inferior das órbitas e a margem superior dos poros acústicos externos fiquem no mesmo plano horizontal.


   

Posição do corpo e termos de relação

 

Principais planos do corpo

Plano é uma superfície em linha reta que conecta dois pontos. Na radiologia os planos imaginários que atravessam o corpo na posição anatômica, são referência para os ângulos do raio central do feixe de raios X.

  • Sagital - plano vertical que passa longitudinalmente através do corpo, dividindo-o em metades direita e esquerda
  • Coronal ou frontal - são plano verticais que passam através do corpo em ângulos retos com o plano mediano, dividindo-o em partes anterior (frente) e posterior (de trás).
  • Transversal ou axial - são planos que passam através do corpo em ângulos retos com os planos coronais e mediano. Divide o corpo em partes superior e inferior.

   

Superfícies e partes do corpo

 

Termos relacionados a movimento

  • Flexão - Corresponde a um movimento angular que aproxima duas partes de uma articulação. Resulta em diminuição do ângulo entre o segmento que se desloca e o que permanece fixo;
  • Extensão - Corresponde a um movimento angular que afasta as partes de uma articulação. Resulta em aumento do ângulo entre o segmento que se desloca e o que permanece fixo;
  • Abdução - Um movimento de afastamento do braço ou da perna em relação ao corpo, ou seja , é um movimento em direção oposta ao plano sagital mediano;
  • Adução - Um movimento de braço ou de perna em direção ao corpo, movimentar em direção a uma linha central ou medial, ou seja , é um movimento em direção ao plano sagital mediano;
  • Supinação - Um movimento de rotação lateral da mão e antebraço para a posição anatômica;
  • Pronação - Uma movimento de rotação medial da mão e antebraço para a posição oposta à anatômica;
  • Eversão - Um movimento lateral da região plantar, ou seja, se afasta do plano sagital mediano;
  • Inversão - Um movimento medial da região plantar, ou seja, se aproxima do plano sagital mediano.

   

Termos de relação

  • Medial - Em direção ao centro, ou em direção ao plano mediano ou linha média. Exemplo: a face medial do braço é a mais próxima do plano mediano.
  • Lateral - É o oposto de medial. Exemplo: Na posição anatômica, o polegar esta na face lateral da mão.
    Proximal: Parte mais próxima do tronco, a origem ou o início daquele membro. Exemplo: o cotovelo é proximal ao punho.
  • Distal - Distante da origem ou distante do tronco. Exemplo: O punho é distal ao cotovelo.
  • Cefálico ou superior - Em direção a cabeça. Um ângulo cefálico é um ângulo em direção a cabeça.
  • Caudal ou inferior - Distante da cabeça, em direção aos pés.

 

O exame radiográfico

O objetivo de todo tecnólogo não deve ser apenas fazer uma radiografia “dá para passar” mas produzir uma imagem com qualidade diagnóstica. Para isso é imperativo que sejam utilizados corretamente os fatores de exposição radiográfica e o posicionamento da região anatômica determinado para cada incidência, associados à correta identificação da radiografia.

   

Fatores de exposição radiográfica

Os fatores de exposição radiográfica são um grupo de fatores que determinam as características do feixe de raios X. São eles: o miliampere, o tempo de exposição, o quilovolt e a distância foco-filme.

  • Miliampere (mA) - É representado pela sigla “mA”. Proporcional a intensidade do fluxo de elétrons no interior do tubo de raios X. A variação da miliamperagem influencia na taxa de produção dos raios X (quantidade), e não na energia dos fótons;
  • Tempo (s) - É representado pela sigla “s” e corresponde ao tempo de irradiação. Em radiologia diagnóstica é medido em segundos;
  • Miliampere-segundo (mAs) - É representado pela sigla “mAs”. Determina a quantidade de raios X produzidos em um determinado tempo. É determinado por mAs = mA x t (s);
  • Quilovolt (kV) - É representado pela sigla “kV”, e determina a energia (qualidade) do feixe de radiação. O quilovolt (kV) pode ser obtido por kV = 2e + Q, sendo (e) a espessura em cm e (Q) a constante do aparelho;

   

Incidência ou projeção

Incidência corresponde à relação entre o posicionamento do paciente e a incidência do raio central (RC). Descreve a direção dos raios X quando este atravessa o paciente, projetando uma imagem no filme radiográfico ou em outros receptores de imagem. (O feixe de raios X pode ser descrito como o raio central ou RC).

   

Tipos de incidências

  • Incidências de rotina - Coresponde ao número mínimo de incidências necessárias para o estudo de uma determinada região anatômica do corpo humano.
  • Incidências complementares - São incidências que podem ser acrescentadas às incidências de rotina para esclarecer uma hipótese diagnóstica.
  • Incidências panorâmicas - São incidências que resultam em radiografias da totalidade da região anatômica em estudo.
  • Incidências localizadas - São incidências complementares que resultam em radiografias de parte de uma região anatômica do corpo que, pela grande colimação, produzem uma imagem com mais detalhe.

   

Descrição de algumas incidências

Incidência póstero-anterior (PA) - O RC entra na superfície posterior e sai na anterior. Não há rotação intencional, o que requer que o RC seja perpendicular ao plano coronal do corpo e paralela ao plano sagital;

   

Incidência ântero-posterior (AP) - O RC entra em uma superfície anterior e sai em uma posterior;

   

Incidências Oblíquas - Deve incluir um termo de qualificação descrevendo a posição do corpo como OAD etc.; as incidências oblíquas de partes dos membros superiores e inferiores são mais precisamente descritas como incidências oblíquas AP ou PA com rotação lateral ou medial;

   

Incidência lateral - Deve incluir um termo de qualificação da posição como uma posição lateral direita ou esquerda;

   

Incidência Axial - Descrever qualquer ângulo do RC acima de um determinado número de graus ao longo do eixo longitudinal do corpo;

   

Incidência tangencial - Significa tocar uma curva ou superfície apenas em um ponto; Exemplos: Incidência do arco zigomático; incidência do crânio para demonstração de fratura impactada.

   

Identificação das radiografias

A identificação deverá estar impressa e legível na radiografia, sem superpor estruturas importantes do exame radiográfico. Pode ser feita usando um numerador alfa numérico, ou câmaras identificadoras. Deve ser evitada a identificação escrita (com caneta) ou com etiqueta colada diretamente na radiografia.

A identificação de uma radiografia deve conter, no mínimo, os seguintes dados:

  • Nome ou logotipo da instituição onde foi realizado o exame;
  • Data (dia/ mês/ ano) da realização do exame;
  • Iniciais do paciente;
  • Número de registro do exame no serviço de radiologia.

Nos exames de estruturas pares do corpo (mãos, pés, etc), deve ser acrescentada obrigatoriamente á identificação a letra “D” ou “E”.

Uma numeração seqüencial ou o tempo devem ser acrescentados à identificação nos exames seriados.

Nos exames realizados no leito, devem ser acrescentadas a localização do paciente e a hora da realização do exame. Exemplo: quarto 11 23:30h = Q 11 23 30, enfermaria 3A 11:30h = E3A 11 30 etc.

   

Posicionamento da identificação na radiografia

A identificação deve estar sempre posicionada na radiografia em correspondência com o lado direito do paciente.

Uma radiografia ao ser analisada deve estar com a identificação legível e posicionada de maneira que corresponda ao paciente em posição anatômica de frente para o observador, ou seja, a identificação da radiografia deve sempre estar legível e à esquerda do observador, com a borda superior em correspondência com a extremidade superior da região a ser radiografada, exceto para as extremidades (mãos / carpos e pés).

As radiografias das extremidades (mãos / carpos e pés) constituem exceção a essa regra e devem ser posicionadas para análise com os dedos voltados para cima, e o numerador posicionado do lado direito da região anatômica em estudo, com a sua borda inferior em correspondência com a extremidade distal dessa região.

O posicionamento da identificação na radiografia deve também obedecer à seguinte regra:

  • Paciente em pé - A identificação deverá estar na parte superior do chassi;
  • Paciente em decúbito - A identificação deverá estar na parte inferior do chassi.

     

Aparelhos emissores de raios X

O processo de produção de uma imagem radiológica é composto basicamente por uma fonte geradora de radiação, o objeto de irradiação (corpo do paciente) e um sistema de registro do resultado da interação do feixe de fótons com o corpo, normalmente, o filme radiográfico sensível à radiação X ou à luz. Associados à fonte e ao sistema de registro, temos dispositivos que servem para atuar sobre a emissão e forma do feixe de radiação, de maneira a tratá-lo convenientemente para produzir imagens que possuam validade diagnóstica.

Desta forma, podemos dividir os equipamentos radiográficos em três grupos:

Fixos

Móveis

Portáteis

   

Realização do exame radiográfico

Os fatores de exposição radiográfica (mAs, kV e distância) devem ser escolhidos de acordo com o tipo de exame a ser realizado e em função do tipo de paciente a ser examinado, tendo em vista dois objetivos primordiais: uma radiografia com qualidade diagnóstica, associada a otimização da proteção radiológica para o operador e paciente. Para tal, deve ser observado o seguinte:

  • A distância foco-filme (DFOFI) utilizada deve ser de no mínimo 1m;
  • A distância objeto-filme (DOFI) deve ser a menor possível;
  • O paciente deve se manter imóvel durante a realização do exame;
  • O tempo de exposição utilizado deve ser sempre o mais curto possível;
  • O quilovolt (kV) utilizado deve sempre ser calculada em função da espessura (e) da região a ser estudada, e da constante (Q) do aparelho de raios X para a incidência (região anatômica) a ser realizada: kV = 2e + Q;
  • Sempre que possível, desde que não comprometa a qualidade do exame radiográfico, deve ser usada uma miliamperagem-segundo (mAs) mais baixa possível.

   

O tamanho do filme radiográfico a ser utilizado irá depender do tipo de exame e da região anatômica a ser radiografada, sendo o tamanho ideal aquele que enquadre com folga a região anatômica em estudo e a identificação correspondente. Em alguns casos, o filme radiográfico pode ser dividido em partes, através de colimação e/ou placas de chumbo, sem prejuízo do exame.

Em nenhuma hipótese o tamanho do filme radiográfico deve ser menor que a região anatômica a ser radiografada.

A colimação em todas as radiografia deve ser precisa, limitando o campo de radiação à região anatômica em estudo, nunca excedendo o tamanho do filme radiográfico. Sempre que possível, as quatro bordas da colimação devem estar visíveis na radiografia, sem prejuízo da região examinada.

Todo paciente submetido a um exame radiográfico deve estar cadastrado no Serviço de Radiologia (livro de registro ou sistema informatizado). Esse cadastro deve conter no mínimo os seguintes dados: número de ordem do Serviço de Radiologia, nome completo do paciente, data (dia / mês / ano) e hora da realização do exame radiográfico, o nome do exame realizado e o filme utilizado (tamanho e quantidade) para a sua realização.

Qualquer exame radiográfico poderá ser realizado somente mediante solicitação médica.

   



Luciano Santa Rita Oliveira

Mestre em Radioproteção e Dosimetria

Pós-graduado em Gestão da Saúde e Admistração Hospitalar
Tecnólogo em Radiologia

          tecnologo@lucianosantarita.pro.br